Do que se trata, que tipos existem, fiscalidade e quais os riscos associados a estes instrumentos financeiros. Guia prático para começar a investir.
Um ETF — fundo de índice cotado na bolsa — é uma alternativa de investimento diversificada que oferece acesso a uma ampla gama de ativos através da aquisição de um único instrumento financeiro.
Estes produtos são muito transparentes já que a composição do fundo e o preço são atualizados em tempo real, permitindo que investidores e analistas vejam exatamente que setores e empresas estão lá dentro e a que preço.
Se quer começar a investir e não sabe por onde começar, este artigo é para si. Já de seguida abordamos o que é um ETF, que aspetos deve ter presentes na altura da escolha e qual a fiscalidade associada.
ÍNDICE
— O que é um ETF?
— Diferença entre um ETF e um fundo de investimento
— Como investir num ETF
— Vantagens e riscos
— Tributação
Imagine um cabaz de Natal com produtos de diferentes origens lá dentro: bolo-rei, bacalhau, azeite, vinho, etc, cada um com um preço unitário se vendido em separado, mas que nessa cesta estão integrados como uma única unidade. Assim é um ETF.
O ETF — Exchange Traded Fund — agrega uma coleção de ativos como ações, obrigações, commodities (matérias-primas) ou uma mistura desses diferentes tipos de ativos que é depois negociada em bolsa como se fosse uma só ação.
Os fundos de índice cotados em bolsa (ETF) podem ser estruturados para replicar ou até mesmo tentar superar o desempenho de um índice específico. Tudo depende do seu tipo.
Existem vários tipos de ETF, no entanto os mais comuns são:
E AINDA…
Para saber mais acerca do índice americano S&P 500 leia também: Como funciona este termómetro da economia dos EUA.
É possível traçar um paralelo entre um ETF e um fundo de investimento tradicional pois ambos permitem que os investidores adquiram um portfólio de ativos subjacentes. No entanto, a grande diferença está no tipo de gestão.
Nos fundos de investimento, um ou mais gestores dedicam-se à análise constante e seleção dos ativos, procurando superar as médias do mercado, o que implica uma maior frequência de transações.
Em contraste, os ETFs são geralmente geridos de forma passiva, sendo o seu objetivo principal espelhar o desempenho de um índice ou conjunto de ativos, o que resulta em custos operacionais inferiores.
Da mesma forma que para comprar ações tem de ter um intermediário financeiro, também para investir num ETF precisa de um banco ou de uma corretora.
Por norma, os bancos cobram comissões muito elevadas que as corretoras, o que acaba por ter efeito no retorno do investimento. Seja como for, o mais importante aqui é que escolha um intermediário de confiança, que o deixe dormir descansado. Para isso convém que analise:
COMO PESQUISAR UM ETF
Antes de fazer o investimento, investigue. Uma forma fácil e fidedigna é utilizar o site Just Etf. Siga os passos:
Depois esteja atento aos seguintes pontos:
No mercado acionista, o potencial de perda é superior em horizontes de curto prazo, mas tende a reduzir-se quando o investimento é mantido por períodos mais longos. Assim, para quem pretende investir a longo prazo, o ETF pode ser uma opção a considerar.
Confira agora algumas vantagens e riscos ao investir num ETF.
A tributação aplicada a estes instrumentos financeiros é comparável à das ações. Assim, os lucros obtidos com a venda de ETF na bolsa não são sujeitos a impostos no momento da venda. Porém, mais-valias (lucro) e menos-valias (prejuízo) terão de ser declaradas às Finanças, no IRS anual (anexo G, quadro 9).
O resultado entre mais-valias e menos-valias será, então, tributado à taxa autónoma de 28% em Portugal continental e 19,6% na Região Autónoma da Madeira e dos Açores, caso não opte pelo englobamento. Este caso só compensa se o seu escalão de IRS for mais baixo que 28% ou se tiver perdas de outros investimentos para abater.
Desde 2024 que uma parte das mais-valias não é tributada desde que o investidor mantenha as ações durante um período superior a dois anos. Assim não é tributado:
Quanto aos dividendos distribuídos estão sujeitos a retenção na fonte, aplicando-se uma taxa liberatória de 28%. Assim, o investidor recebe automaticamente na sua conta o valor dos dividendos já líquidos de impostos. No caso dos acumulativos, os dividendos são reinvestidos (na totalidade) no próprio fundo, não havendo lugar a retenção.
Se negociar um ETF numa bolsa internacional, terá também de pagar imposto em Portugal. Para suavizar a dupla tributação internacional, a Autoridade Tributária (AT) criou convenções para evitar a dupla tributação.
PRESTE ATENÇÃO:
Pode deduzir às mais valias os encargos suportados com a compra e com a venda dos ETF, designadamente comissões de compra.