Saiba como usar os certificados de aforro, um tipo de dívida pública, na sua estratégia de investimento.
Os certificados de aforro são uma das opções de investimento em dívida pública mais populares entre os portugueses. Criados pelo Estado, em 1960, estes produtos financeiros atraem a atenção dos investidores comuns por oferecerem rentabilidades maiores que os depósitos a prazo e, de certa forma, com um risco muito baixo.
Neste artigo vamos explorar como funcionam os certificados de aforro, suas vantagens e desvantagens, e qual a sua relação com a inflação.
ÍNDICE
— O que são Certificados de Aforro
— Rendimento dos Certificados de Aforro
— Vantagens
— Desvantagens
— Onde adquirir os Certificados de Aforro
Os certificados de aforro são títulos de dívida pública emitidos pelo Estado português. Ao adquiri-los está a emprestar dinheiro ao Estado que, em troca, garante o reembolso da totalidade do dinheiro investido acrescido de juros.
Uma vez que se trata de um empréstimo ao Estado é pouco provável que este declare falência e não consiga devolver o capital que os particulares investiram, daí ser considerado um investimento de baixo risco.
A série mais recente, criada em 2023, é a F e o valor de subscrição de cada unidade é de 1€. Atualmente, o mínimo de certificados por conta aforro são 100 unidades — correspondentes a 100€ — e o máximo que pode adquirir são 100 000 unidades, ou seja, 100 000€.
Só podem ser titulares deste tipo de certificados pessoas singulares, empresas não. Cada pessoa pode ser titular de uma conta aforro apenas e a cada conta está associado um IBAN. Os certificados de aforro são nominativos, o que significa que não os poderá oferecer, vender ou ainda indicar um movimentador. Só o próprio poderá resgatar os seus certificados ou, em caso de falecimento do titular, os seus herdeiros.
E AINDA…
Para os investidores institucionais está destinados outro tipo de dívida pública — as obrigações do tesouro.
O prazo final dos certificados de aforro, série F, é de 15 anos. Porém, pode resgatá-los em qualquer altura após os primeiros três meses. Se o fizer antes convém que seja logo após o pagamento dos juros trimestrais.
O rendimento dos certificados de aforro está diretamente ligado à evolução da EURIBOR (Euro Interbank Offered Rate). A Euribor é a taxa de juro média praticada entre os bancos europeus para empréstimos interbancários no curto prazo. Para o cálculo da taxa de juro é utilizada a Euribor a 3 meses + 1%.
Na série atual (abril de 2025), o Estado paga uma taxa de juro bruta anual de 2,415% e trimestralmente são pagos juros capitalizáveis, isto é, juros líquidos (imposto de 28% automaticamente retido) que se somam ao valor inicial, aumentando o valor base.
Desta feita, apenas sabe a rentabilidade dos primeiros três meses, relativa à data da subscrição. Depois terá mais três revisões da taxa a cada três meses, só no primeiro ano. Nos anos seguintes, a lógica é a mesma: quatro revisões anuais da taxa.
Estes títulos da dívida pública dão também prémios de permanência, o que os torna um pouco mais apelativos. Assim, a somar à taxa-base deve incluir:
Quando a Euribor está em alta — como em cenários de inflação crescente ou políticas monetárias restritivas — o rendimento dos certificados de aforro tende a subir e por isso oferece melhores retornos para os investidores.
PRESTE ATENÇÃO:
Mesmo que a Euribor suba, o rendimento dos certificados de aforro pode ser limitado por regras definidas pelo Estado, como é o caso. Assim, nesta série F, a taxa bruta anual dos certificados de aforro nunca pode ser inferior a 0% nem superior a 2,5%.
Os Certificados de Aforro e a Inflação:
Ao calcular a rentabilidade dos certificados de aforro tem de ter ainda em conta o valor da inflação — que mede a evolução dos preços de um conjunto de bens e serviços representativos do consumo — para perceber se está a ganhar ou a perder dinheiro.
Isto porque se a inflação for superior à taxa dos certificados, significa que vai ter um ganho real negativo. Recebe juros em termos nominais, mas o dinheiro perde valor em termos de poder de compra. Neste caso não devem ser vistos como um investimento, mas sim como um fundo de emergência para enfrentar imprevistos.
Confira agora cinco principais vantagens em investir nos certificados de aforro.
O investidor deve estar a par, ainda, das desvantagens de qualquer investimento. Deixamos aqui os principais contras:
Os certificados de aforro podem ser adquiridos: