DESCOMPLICADOR Bolsa de Lisboa: Uma Jornada Histórica até à Moderna Euronext

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Bolsa de Lisboa: Uma Jornada Histórica até à Moderna Euronext

Da fundação à integração global: como as bolsas de Portugal evoluíram ao longo dos séculos até aos dias de hoje. 

Foto da Praça do Comércio com a estátua de D. José I e o Arco da Rua Augusta à esquerda e o castelo de S. Jorge à direita.

A Bolsa de Lisboa, hoje conhecida como Euronext Lisboa, representa um marco fundamental no panorama financeiro de Portugal. Desde a sua fundação, em 1769 que a bolsa tem desempenhado um papel crucial no desenvolvimento económico do país, facilitando o acesso ao capital e promovendo a inovação financeira entre os seus participantes.

Conheça, já de seguida, os momentos mais marcantes da sua longa cronologia.

História da Bolsa de Lisboa: de 1769 até à Atualidade

Identificámos quatro grandes fases da história da Bolsa de Lisboa. A saber: 

  • Primeira fase: 1769-1901
  • Segunda fase: 1901-1974
  • Terceira fase: 1974-2002
  • Quarta fase: Transição para a Euronext Lisboa (2002-Hoje)

     

E AINDA…
Para saber como atua o regulador da bolsa em Portugal leia CMVM: o que é e quais as suas principais funções. 

Primeira fase: 1769-1901

A origem da Bolsa de Lisboa remonta a 1769 com a Assembleia dos Negociantes que se reuniam na Praça do Comércio também em representação de importantes organizações relacionadas com o comércio.

Pouco depois, na viragem para o século seguinte, com a revolução e as guerras napoleónicas, o país ficaria mais de 50 anos com as suas principais questões económicas a serem decididas, em grande parte, pela influência externa.

Enquanto isso, o Banco de Lisboa – primeiro banco de boa-fé português – seria fundado em 1821 e os primeiros banqueiros do país eram oriundos, principalmente, do comércio.

Até 1875 foram criadas mais instituições bancárias até chegarem ao número de 52. Nesse mesmo ano, os depósitos registaram um aumento de oito vezes a contar desde 1858. 

Em janeiro de 1891 foi fundada a Bolsa de Valores do Porto (BVP) e 10 anos depois, mais precisamente em outubro de 1901, foi criada a Bolsa de Valores de Lisboa (BVL).

Nesse início de século, ambas enfrentaram uma grave crise financeira, a chamada crise do Crédito Predial e da Dívida Pública Portuguesa.

Segunda fase: 1901-1974

No advento da República e com a Primeira Guerra Mundial, viveu-se um período de aparente desinteresse bolsista. Após o conflito armado, a bolsa retoma a sua atividade em força com os papéis das sociedades cotadas mais importantes a registarem fortes altas.

No entanto, mesmo estas não resistiram ao impacto do crash de 1929 na Bolsa de Nova York e acabaram por cair violentamente. Mais altos e baixos se seguiram, com uma nova e promissora recuperação a partir de 1932 que voltaria a ser interrompida, no entanto, com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Em 1948, ainda no rescaldo da Grande Guerra, novos efeitos de crise impactaram diretamente as negociações.

Nos anos de 1960 e início de 1970, devido ao crescimento da economia portuguesa, o mercado de capitais ressurge pujante até à Revolução de Abril de 1974. Porém, meses antes, em janeiro, a bolsa ganha um importante reforço: o Decreto-Lei nº 8/74, com o propósito de estabelecer novas regras de funcionamento para as bolsas de valores.

Terceira fase: 1974-2002

A 25 de abril de 1974, as bolsas de Lisboa e do Porto encerram devido ao movimento militar que derrubou o mais longo regime autoritário da Europa Ocidental no século XX. Era o fim de 48 anos de ditadura em Portugal.

A Bolsa de Lisboa reabre somente em janeiro de 1976 e a do Porto em janeiro de 1981, ambas a tempo de viverem um período extraordinário, tanto em regulações, como de desenvolvimento económico, sobretudo a partir da década de 1990.

O avanço histórico do mercado de Portugal nesse período reflete, sobretudo, o cenário da integração no contexto europeu, após a adesão do país à Comunidade Económica Europeia (CEE). Em abril de 1991, adota-se o Decreto-Lei nº 142-A/91 – referente ao Código do Mercado de Valores Mobiliários – para fazer face à nova realidade.

Desta forma, as principais empresas portuguesas passam por um processo de privatização e liberalização, com as bolsas a tornarem-se propriedade e gestão das chamadas Associações de Bolsa e a deixarem de ser administradas pelo Estado.

Nos anos seguintes, tem-se um aumento na capitalização e no volume de operações, com novos fatores como: o fim do risco cambial no espaço europeu, inovações tecnológicas para facilitar transações financeiras e ainda fusões e aquisições.

Em 1993, a Bolsa do Porto pede autorização à CMVM para instituir um mercado de futuros e opções. Define-se posteriormente que a Bolsa de Lisboa fica responsável pela organização do mercado a contado (ou à vista) – expressão que remonta aos tempos das bolsas de mercadorias em que o pagamento era feito e a mercadoria entregue na hora – e a do Porto pelo de derivados – instrumentos financeiros como contratos futuros ou opções.

Assim, em junho de 1996 surge a Bolsa de Derivados do Porto, novo nome da Bolsa de Valores do Porto. Seguiu-se depois a fusão com a praça lisboeta, dando origem à BVLP (Bolsa de Valores de Lisboa e Porto), tendo esta sido adquirida em 2002 pela Euronext N.V.

Quarta fase: Transição para a Euronext Lisboa (2002-Hoje)

Em fevereiro de 2002, a Bolsa de Lisboa foi oficialmente adquirida pela Euronext, uma bolsa de valores europeia, que integrou Portugal no seu sistema. Na negociação final para o acordo, 100% dos acionistas da BVLP aceitaram trocar os seus títulos por ações da Euronext, que até então abrangia apenas as Bolsas de Amesterdão, Paris e Bruxelas. 

Com raízes que remontam ao século XVI e mais de 1.850 empresas cotadas, os mercados Euronext são os maiores da Europa. A sua capitalização é estimada em 6 300 mil milhões de euros e está presente em sete países, com cerca de 6.000 investidores institucionais ativos. 

Não por acaso, a Euronext tornou-se a principal bolsa da Europa, facilitando a captação de capital e transacionando 25% do total das ações europeias.

A integração com a Euronext permitiu a modernização das infraestruturas tecnológicas e operacionais da Bolsa de Lisboa, com a execução de transações em tempo real e tornando a bolsa mais competitiva a nível global. Isso resultou em maior eficiência, melhor governança e uma maior atração de investimentos internacionais.

Atualmente, a Euronext Lisboa oferece uma gama diversificada de produtos financeiros como ações, títulos públicos e privados e ETFs, acolhendo investidores dos mais variados perfis, desde pequenos a grandes players institucionais.

Já no Porto, a Euronext mantém a Euronext Securities, Central de Custódia e Liquidação líder no país, que também permite conexões com o resto da Europa. Na cidade Invicta, ainda possui o Centro Especializado em Segurança da Informação, Supervisão e Desenvolvimento Tecnológico, a gerir infraestruturas e cibersegurança.

PRESTE ATENÇÃO:
A Bolsa de Lisboa disponibiliza um contacto telefónico (+351 210 600 600) para facilitar o acesso à entidade por parte de investidores, empresas e público em geral. No site da Euronext encontra ainda dados e informações institucionais não apenas do mercado local, como também dos seus pares europeus do mesmo grupo.

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